Lupa Atípica é uma obra literária que representa a expressão das emoções e sentimentos sob as lentes da neurodivergência. Foi pensada e forjada na necessidade de reinvenção e do fortalecimento de quem eu sou, aos meus olhos. Foi escrita sob a perpectiva menina e mulher que sempre foi atípica em seu modo de pensar, sentir e agir, mas que tanto camuflou-se que despareceu. Ofuscaram-se as lentes da sua potencialidade, pelo medo da exposição, pelo medo de falhar, pela insegurança de continuar sendo e posicionar-se de acordo ao realmente é, sob suas lentes e com lupa para as dores e sabores da vida. Assim, após meu diagnóstico tardio de autismo, nível I, muitas águas passadas e paradas moveram moinhos, ou melhor, moveram anotações, poesias e contos que foram publicados, descamuflando a mulher neurodivergente que sempre fez morada mãe, esposa, filha, irmã e colega de trabalho normal demais para ser autista e estranha demais para ser normal. A escrita me liberta todos os dias. Lupa Atípica foi uma libertação por me permitir expressar minhas alegrias e sentimentos nem sempre tão bem quistos, como a melancolia, tristeza, inquietações e sobre o desafio da maternidade. Expressar-me através da escrita é meu veraneio de liberdade. Ao escrever, me aproximo da minha essência, de quem realmente sou, por minhas lentes, sem precisar caber na expectativa alheia. Para mim, a escrita é a chave que abra a tal janela da alma e espero que mais mulheres, típicas ou atípicas possam ousar mostrar seus escritos e quem sabe inspirar outras pessoas a serem e fazerem aquilo que acarinha a alma e que traz a soberania para si, para então, externar todo o potencial nas diversas áreas do conhecimento, considerando e respeitando suas peculiaridades, limitações, e habilidades.

